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O Pai da Aviação (continuação)....Santos Dumont vivia
pelos outros, os prêmios que ganhou - que não eram
poucos nem pequenos - repassou a colegas inventores,
dividiu entre sua equipe ou distribuiu entre os pobres.
Ajudava famílias necessitadas e, o mais impressionante,
não patenteava nenhum de seus inventos. Entregava seus
projetos a todos, pois acreditava que eram propriedade da
humanidade. Aliás, poucos sabem também que, entre suas
invenções, estão duas que estão presente entre
bilhões de pessoas e lugares: a regulagem de temperatura
em chuveiro e o uso de rodas em portas. Sim, é bom
ressaltar: Santos Dumont inventou o dirigível, o avião,
a regulagem quente-frio do chuveiro, a porta de correr e
muitas outras coisas, como o hangar, o ultraleve, o
simulador de vôo, o aeroporto e a palavra
airport (em inglês!), o horizonte artificial,
o uso do alumínio, da roda e do motor a explosão em
aeronaves, o cálculo de área alar e a
relação peso x potência, até hoje
utilizados na indústria aeronáutica. Além disso, em
1904, Santos Dumont encomendou a seu amigo joalheiro Luis
Cartier o primeiro relógio de pulso masculino. Até
então, somente mulheres usavam relógio no pulso, uma
invenção da empresa suiça Patek Philippe, em 1868. As
pulseiras eram de brilhantes e Santos Dumont foi o
primeiro a utilizar o couro. Como era sempre imitado,
coube a ele a popularização do uso do relógio no pulso.
....Apesar de sua
ascendência francesa e de ter realizado a maior parte de
sua obra em Paris, amava o Brasil profundamente e vivia
protestando ao governo para que desse mais atenção à
aviação. Aqui suicidou-se em 1932. Estava com profunda
depressão originada pelo excesso de trabalho e pelas
fortes tensões que sofrera em perigo nos vôos
experimentais. Os problemas nervosos e psicológicos se
intensificaram com o uso do avião como arma; foi
tornando-se cada vez mais solitário e pesaroso. Há
cerca de um ano de sua morte, alguns de seus grandes
amigos morreram ao cair no mar quando o saudavam em sua
chegada ao Brasil em um hidroavião Bleriót batizado com
seu nome. Não mais se reestabeleceu. Ver sua invenção
como arma na revolução de 32 em seu próprio país foi
a gota dágua - suicidou-se no dia
seguinte. À época que sobrevoou uma parada
militar com o Dirigível Nº 9 (na foto ao lado), chegou
a prever, com certa vaidade, as grandes vantagens
bélicas que teriam as máquinas aéreas no futuro. No
entanto, ao criar o avião, ao avaliar tal poderio mais
concretamente e ao constatá-lo com o advento da I Guerra
Mundial, insistia a todos que usassem aviões somente
como defesa - patrulhamentos de fronteiras e
reconhecimentos - e nunca se conformou com seu uso como
arma. Em 1926, fez um apelo em carta ao Embaixador do
Brasil na Sociedade das Nações (organização
precursora da ONU), clamando pela interdição das
máquinas aéreas como armas de guerra. Sua doença era
então agravada ao trazer para si a responsabilidade da
invenção do avião, uma arma extremamente mortal.
....Essa figura
notável, comprometeu seus estudos, seu trabalho, sua
saúde, toda a sua vida para o bem das pessoas e da
humanidade. Sempre pensando nos outros, escreveu em sua
obra O que eu vi, o que nós veremos, ao
referir-se aos pioneiros da aviação: Após
heróica pertinácia em estudos de laboratório, eles se
arrojavam a experimentar máquinas frágeis, primitivas,
perigosas. Foram centenas as vítimas que lutaram com mil
dificuldades, sempre recebidos como malucos, que não
conseguiram ver o triunfo dos seus sonhos, mas que
colaboraram com o sacrifício de sua vida. Eu também
tive a honra de trabalhar ao lado de alguns desses bravos,
porém o Todo Poderoso não quis que o meu nome figurasse
junto ao deles. Não fosse a
audácia, digna de todas as nossas homenagens, dos
Capitães Ferber, Lilienthal, Pilcher, Barão de Bradsky,
Augusto Severo, Sachet, Charles, Morin, Delagrange,
irmãos Nieuport, Chavez e tantos outros - verdadeiros
mártires da ciência - e não assistiríamos a esse
progresso maravilhoso da aeronáutica, conseguido à
custa dessas vidas, quando ficava sempre uma lição.
Aos jovens, a maior parte dos meus leitores, suplico-lhes:
não se esqueçam desses nomes!
....Em um humilde
gesto de homenagem e gratidão, o Grupo Dezz trabalhou para que esse nome
não fosse esquecido, sinônimo
de bravura, genialidade e altruísmo: Santos Dumont.
Bibliografia
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